Lula Verne e a aprovação rumo ao centro da Terra: perspectivas para 2025

Há um ditado popular segundo o qual o ano só começa de verdade após o Carnaval. O adágio parece especialmente verdadeiro para os tubarões de Brasília.

Lula inicia 2025 encarando uma desaprovação recorde, que chega a 60% em alguns Estados. Mesmo no Nordeste, onde o PT parecia soberano, a aprovação caiu vários pontos percentuais, o que liga – ou ao menos deveria ligar – um sinal de alerta por parte do Planalto.

Painho cada vez mais afundado numa zona de impeachment. Fonte: CNN.

A situação é tão crítica que mesmo o Centrão – acostumado a negociar governabilidade em troca de cargos e de emendas parlamentares – está preocupado com tanta desaprovação e já cogita não aceitar quaisquer cargos para apoiar o governo. Se for mesmo verdade, na prática, isso equivale a um desembarque: Lula III está tão radioativo que nem mesmo o pior da nossa política quer ser associado à gestão petista. Nem dinheiro a rodo e cargos estratégicos estão sendo suficientes para compensar a fritura junto à opinião pública.

Trecho de matéria da jornalista Daniela Lima publicada no portal G1.

A economia é um dos principais fatores para o desgaste da gestão: o custo dos alimentos está elevadíssimo, pressionando cada vez mais a já combalida base da pirâmide econômica. Mesmo com uma leve queda no preço do dólar nos últimos tempos – devida talvez mais a fatores externos que internos – , os efeitos ainda não chegaram às gôndolas dos supermercados, transformando o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em persona non grata mesmo entre a ala governista.

Matéria do portal G1 publicada em fevereiro de 2025.

Enquanto isso, o governo do PT engendra uma reforma ministerial em que fortalece o partido vermelho em detrimento da frente ampla com a qual Lula se elegeu (com pequena margem de votos, vale lembrar). Depois de demitir a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade de forma vexatória – horas depois de um evento do Ministério da Saúde do qual ela participou – , colocando o petista de quatro costados Alexandre Padilha em seu lugar, Lula ainda indicou Gleisi Hoffmann para ocupar as Relações Institucionais: sim, o PT escolheu uma das representantes mais irascíveis e intolerantes, que não hesita em bradar “fascista!” para qualquer um que discorde do partido, para o principal posto de articulação e diálogo político. Às vezes me pergunto se não seria a oposição que estaria traçando as estratégias do governo, porque é muita mistura de pretensão com burrice. Por fim, até a hora em que escrevo esta postagem, ainda se cogita que o deputado federal e principal liderança do PSOL, Guilherme Boulos, ocupe a Secretaria Geral da Presidência da República. Mal a base governista teve tempo de digerir a malfadada nomeação de Gleisi, precisará lidar com potencial indicação de mais um aliado fechado com Lula – e não com o Congresso – para um posto estratégico.

Matéria da CNN falando sobre a possibilidade da nomeação de Boulos.

Com o PT fazendo questão de queimar pontes com qualquer possibilidade de frente ampla e sinalizando que vai governar apenas para o núcleo duro do partido, Lula se isola cada vez mais e vai jogando as pás de cal que faltam sobre o caixão de seu governo. Um partido com configuração de seita jamais conseguirá realizar articulações políticas democráticas, e isso certamente terá consequências, principalmente com o chefe do Executivo enfraquecido. Ainda que não haja um processo de impeachment, apostar que Lula ainda consegue governar a essas alturas do campeonato seria loucura.

Nos resta avaliar qual será a resposta do Congresso. Acompanhemos os próximos acontecimentos, porque 2025 começou agora.

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