Seis livros para 2025

Estes dias – não sei exatamente quanto tempo atrás, já que deixei esta postagem programada para data posterior – encontrei no supermercado um rapaz que as pessoas em geral considerariam bonito. Estava próxima a ele e à namorada na fila e, por esse motivo, foi possível ouvir um trecho do que conversavam. O rapaz, tão bonitinho, perdeu qualquer encanto que pudesse ter quando abriu a boca (e não era por questões de mau hálito): a limitação cognitiva dele era clara. Tínhamos, ali, burrice em estado bruto. Minha torcida ficou para que a namorada também fosse meio burralda, porque, caso contrário, o romance não disporia condições de prosperar, e ela parecia bem apaixonada, tadinha. Guardei esse incidente trivial para mim e segui a vida.

Eis que pouco tempo depois, o algoritmo, esse bruxo da tecnologia contemporânea, me bombardeou com diversos vídeos e listas com indicações de livros – um para cada mês do ano – para ler em 2025. Obviamente não vou fazer uma lista assim para mim, porque sei que meu ritmo de leitura é caótico e aleatório, mas pensei que talvez pudesse ser útil sugerir não doze, mas ao menos seis livros para quem não cultiva o hábito de ler e gostaria de começar este ano, porque ter uma vida equilibrada envolve comer bem, dormir bem, fazer exercícios físicos e, principalmente, exercitar o cérebro (parte que muita gente acaba negligenciando em favor das outras áreas, já que fomentar intelecção não traz alterações na aparência física). Sei que ler muito não é garantia de nada – inclusive conheço várias pessoas que comem livros e não conseguem concluir um raciocínio – , mas ainda é uma ferramenta para desenvolver habilidades às vezes pouco usadas. Não é garantia, mas é uma aposta, e, apesar de tudo, acho que ainda há seres humanos dignos dessa jogada arriscada. Será que o rapaz do supermercado era um leitor assíduo? Se não fosse, será que o hábito de leitura poderia ter contribuído para tirá-lo da vala da decadência cognitiva? Nunca saberei, mas as perguntas me impulsionaram a indicar alguns títulos.

Sei que já estamos no fim de janeiro, mas, de toda forma, acho que é uma lista viável. Tive o cuidado de selecionar obras não tão volumosas justamente para não desestimular ninguém: o tempo de quem trabalha, cuida de casa, cuida da vida e cuida da própria saúde é escasso, eu sei.

Vamos ao rol de sugestões (e não veremos porcarias do nível de Colleen Hoover, não se preocupem).

1 – A Metamorfose, de Franz Kafka

É um livro famoso e já aclamado no meio literário. Conta a história de um homem que, um belo dia, se vê transformado em um inseto. Em poucas páginas e de maneira muito criativa – e talvez até crua -, Kafka consegue mostrar como coisas que damos como certas e consideramos sagradas, como família, estão condicionadas a uma série de conveniências, e ao fim da obra fica bem claro que conveniência e convenção social nunca foram amor. Há versões disponíveis em várias editoras.

2 – A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera

Foi um dos livros mais lindos que já li na vida – tanto que penso em reler. Nos mostra que o amor precisa, antes de tudo, de liberdade e ilustra de maneira magistral como mudanças bruscas que mexem com todas as nossas certezas nos desestabilizam, mas também nos levam ao caminho de poder ser quem somos de verdade, fora das expectativas e dos papéis sociais predeterminados. De bônus, o fundo de toda a narrativa é a vida sob a Cortina de Ferro.

3 – Macbeth, de Shakespeare

Shakespeare, como todos sabem, foi um grande dramaturgo, então o texto é todo escrito em forma de peça teatral, alternando diálogos de diversos personagens (formato que pode parecer meio estranho para quem não é afeito a tal tipo de gênero). Mesmo assim, é possível extrair a vertente humana de cada um deles, da nobreza à torpeza. Muitos falam de Romeu e Julieta, mas penso que esta história de regicídio e de usurpação de trono seja a que mostra o amor em sua faceta mais real e profunda por meio da relação do casal Macbeth. Disponível em várias edições.

4 – As intermitências da morte, de José Saramago

Outro livro maravilhoso que nos faz pensar a vida por outra perspectiva. E se a morte, tão mal falada e evitada, decidisse tirar umas férias? O que seria da humanidade sem a possibilidade da finitude? É um livro curto, mas muito tocante.

5 – Pantaleão e as visitadoras, de Mario Vargas Llosa

Esta obra, de um autor laureado com um Prêmio Nobel de literatura, já foi até adaptada para o cinema. É um livro divertidíssimo que conta a história do capitão Pantaleão Pantoja, um cara certinho que é designado para a missão de organizar serviços de prostituição que contemplem os soldados isolados na Amazônia peruana. Além da agruras do trabalho, o pobre Pantaleão ainda precisa esconder o teor da importante missão da mãe e da esposa. Um livro que a gente lê rapidinho!

6 – Cleópatra – uma biografia, de Stacy Schiff

Uma das tantas biografias sobre a vida da mulher de rosto até hoje desconhecido, mas cuja vida foi tão interessante que rende livros e filmes quase dois mil anos depois. Esta obra é particularmente interessante porque aborda com riqueza de detalhes o contexto econômico e social em que a rainha mais rica do mundo de então viveu.

Caso seja seu interesse começar a ler (ou ler mais) este ano, espero que alguma das obras acima agrade. Leitura ainda é uma ferramenta que, se usada da forma correta e por pessoas com capacidades mínimas para aprender, promove transformações incríveis.

Em julho, quem sabe, volto com mais seis livros para o segundo semestre.

😘

Deixe um comentário